Ontem vivi uma situação parecida com aquela do filme Baby, o porquinho. Eu estava sozinha, sustentando uma opinião, diante de um bando de ovelhas burras, que andam grudadinhas, em grupinhos e que sozinhas ficam totalmente desnorteadas. Ovelhas velhas e burras, que só repetem o que os conservadores falam. Eu não insisti muito para não gastar minha cabeça em vão, mas, é desanimador. Mesmo sabendo que meus argumentos eram justos, nada pude fazer diante dos balidos. A burrice é mais forte porque só anda em grupo.
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Cé
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09h46
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Hoje, domingo, amanheceu chovendo. Aqui ao lado, na avenida, tinha alguma competição, uma corrida, pessoas correndo na chuva. Eu não sei bem o que está acontecendo comigo, mas baixou a melancolia. Aquela saudade de sabe se lá o que. Acontece nos domingos chuvosos.
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Cé
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10h13
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O Brasil apagou ontem. Fiquei com medo quando vi tudo escuro e soube que boa parte do país também estava no breu. Pensei no quanto somos vulneráveis. Pensei nos índios lá no meio da selva, muito bem acostumados com a escuridão, para quem nenhuma diferença fez. Tive vontade de ser índio pela primeira vez.
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Cé
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22h54
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Calor, muito calor. Calor não me deixa dormir. Eu, sem dormir, humor zero. Humor zero, vida sofrível. Até quando isso vai durar?
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Cé
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00h33
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Mesmo quando é feriado, São Paulo continua cheia de gente. Mesmo com aquelas cenas das marginais entupidas de carros saindo da cidade. Hoje fui ao supermercado fazer uma comprinha rápida, mas tudo estava lotado. Dentro do supermercado, uma cena que eu detesto toda vez que acontece: duas mulheres brigando, falando alto, tudo que uma pegava a outra criticava, resmungava. Uma mega chata. É engraçado que esse tipo de pessoa gosta de uma platéia. Quando a chatíssima percebeu que ninguém estava olhando, parou com a ranzinzice. Além disso, tinha um outro cara que chegou junto comigo. O cara fedia de longe. Acho que ele passou os últimos três dias no sofá. Pior que onde eu ía, o cara ía também, com aquele fedor de matar. Afe, vou dormir que dá mais certo.
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Cé
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15h41
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No começo desse ano, quando fazia muito calor, eu dizia para mim mesma, tomara que chova o ano inteiro. E não é que alguém ouviu?
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Cé
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13h08
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Dizem que esse negócio de Inferno Astral não existe. Pode ser. Mas para mim que sou a pessoa mais influenciável da face da terra, existe e com força total. Hoje, uma segunda-feira, ainda sob o efeito do horário de verão, acordei cedinho para ir para a Faculdade. Quando cheguei lá, não estava tendo aula. Voltei para casa para terminar meus trabalhos de fim de semestre e reparei que meu ilustre filho, o folgado, havia acabado com a tinta da impressora e com meus papéis A4. Resolvi ir até uma Kalunga aqui perto, mas que fica numa avenida problemática. Não deu outra, o trânsito estava lento demais. Foi me dando aquela fome de roncar e consequentemente, a hipoglicemia. Cheguei na loja e não me lembrava do modelo da impressora para poder comprar a tinta. Nessa investigação, puxei uma caixa de acrílico, que caiu bem no dedão do meu pé. Não tem nada mais dolorido em mim do que os dedos dos meus pés. Eu gritei baixinho: puta-que-o-pariu, mas os caras da loja ouviram e riram muito de mim. Saí de lá e percebi que ao sair do estacionamento hoje cedo, lá na Faculdade, eu ralei meu carro no carro ao lado. Bem ralado mesmo. Amanhã nem vou aparecer por lá porque, com toda certeza, a pessoa vai descobrir que fui eu e vai me xingar com razão. Posso me congelar até dia 23 de novembro? Por favor, please....
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Cé
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11h42
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De vez em quando releio o meu blog inteiro. É gostoso lembrar das coisas que escrevi.
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Cé
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20h15
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EU ODEIO O HORÁRIO DE VERÃO!!!!!!!!!!!!!!
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Cé
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13h45
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Outro dia vi um layout do google com vários coelhinhos. Levei um susto medonho. Por um momento, achei que a Páscoa já estava chegando. Pensei, nossa, o ano acabou, passou o Natal, o Ano Novo, o carnaval e eu nem percebi!!! É, ou é por causa do tempo que anda voando demais, ou sou eu que estou ficando com aquele mal. Os supermercados já estão repletos de panetones. Isso é um absurdo, é uma imposição. Sei lá. Só sei que já está começando a me confundir profundamente.
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Cé
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23h09
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Acordei cedo, tomei meu café e fui para a Faculdade. Cheguei um pouco atrasada, isso é normal para quem mora em São Paulo. A aula de hoje era sobre Bases de Dados. Criação de bases de dados. Ok. Entendi até o segundo parágrafo. Depois disso começou o cacarejo geral na sala de aula e a professora seguia explicando. Ía e voltava no assunto, vem aqui, aperta aqui, dá um click, dá ok e pronto: tchannn!!! Error. É error mesmo, uma mistura de erro com horror. Depois de muito castigar meus dois neurônios, aliás, eles estão hipertrofiados, com umas caras de rolha de poço. Resultado: uma dor de cabeça lascada.
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Cé
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11h55
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Uma amiga minha, essa semana, falou em fé. Eu também gosto de preservar a minha fé, não importa o que aconteça. Mas nessa semana aconteceram coisas tão ruins, tão duras de entender, que eu tive uma crise. Sempre achei que era melhor ter fé do que não ter, porque sem fé o sentimento de abandono fica impossível de suportar. Mas, depois de tudo que eu fui obrigada a ouvir de uma pessoa arrogante, idiota e metida a besta, eu não quis nem saber, parecia que não existia mais nada. Essa semana tem várias comemorações efusivas de fé no Brasil. Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré. Eu não quero nem falar mais nisso, por medo de ficar ainda mais triste.
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Cé
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23h23
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 (Mariana Massarani)
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Cé
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11h08
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UM DIA DA SEMANA
Começa o dia, e logo na saída da garagem, aparece uma barca lenta na minha frente. Estou com pressa, vou atravessar toda a cidade.  Passo em frente a um dos ícones da cidade, a casa dos Corintianos. Mano, hoje tem jogo, e é contra o São Paulo, aê!  Essa subida até a Dr. Arnaldo é sempre assim, conta aí uns vinte minutos de atraso, porque esse é o tempo que vai levar até lá.  Ainda na subida começa a chover.  Decidi pela Cardeal Arco-Verde em vez da Rebouças, será que fiz bem?  As flores da Dr. Arnaldo não poderiam faltar, mesmo fora de foco.  A Cardeal e seus famosos cruzamentos com a Mourato Coelho e Fradique Coutinho.   Um canteiro de obras depois da Henrique Shaumann, da Pedroso de Moraes, passando a Faria Lima. Os ônibus se divertem dando fechadas na gente.  Os motoboys também vem apavorando.  Ufa, alcancei o final da Rebouças, mas como será que está a Marginal Pinheiros?  Vixe!! Ferrou. Pode contar mais uns 45 minutos de atraso.  Aquele famoso e enorme prédio, bem na rota do avião.  Uns dizem que ali é o templo do luxo paulistano. Outros dizem que é do lixo.  Mais um, do luxo ou do lixo?  A ponte Estaiada, putz, que nome....Andei um terço do caminho.  A ponte Transamérica. E eu que pensava que ali já era o fim do mundo.  Mais uma barca lerda, velha e super lotada na minha frente para me atrasar.  Cheguei, mas e agora? Onde vou estacionar????  Tive que parar lá dentro e pagar uma fortuna de estacionamento. Mais de 45 minutos atrasada. Mas, valeu a pena todo esforço, esse lugar é uma fábrica de talentos. Um sonho nos cafundós do Judas de São Paulo.
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Cé
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14h05
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Para que a qualidade de vida seja minimamente possível para quem mora em São Paulo, é preferível que se faça tudo por perto de onde se mora. É o que eu procuro fazer. Trabalho por perto, estudo por perto, compras e supermercado, tudo perto. Porém, todos os dias dessa semana terei que atravessar a cidade de oeste a sul para fazer um curso. Passarei pelos terríveis gargalos das avenidas e pela sofrível Marginal Pinheiros. É longe o lugar onde vou. Muito longe. Vou ficar boa parte do dia no trânsito. Já pensei em alternativas, mas nenhuma foi viável. Até em me hospedar num hotel lá perto eu pensei. Mas, sofrimento antecipado, não tem jeito. Farei o possível, que é o que todo paulistano hoje tenta fazer. Paciência. Não vou gostar, disso eu sei, mas me consolo dizendo: é só por uma semana.
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Cé
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19h20
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