Ontem li uma crônica do Ivan Ângelo sobre pequenas vaidades. São perceptíeis numa ínfima variação do tom de voz de quem fala se pondo muito àcima ou muito àbaixo dos reles mortais. Os mortais que sofrem submetidos aos caprichos de seus defeitos e falhas. Vivem acoplados às suas compulsões carrascas, que os fazem adiar pela vida toda aquela prometida melhora na saúde, no visual, na conta bancária, no reconhecimento profissional. O sonho daquela foto do antes e depois fica só na foto do antes, nunca chega o dia do depois. Ou então, fica no antes e depois, e depois de depois, que é bem pior. Seria bem melhor se aceitar, com tudo de bom e de ruim, com as faltas e os buracos que a própria vida impõe, sobre os quais não se tem o menor controle, e também, com a singularidade que cada um possui, que faz com que ninguém seja mais nem menos que ninguém, apenas diferente. Essa diferença pode conter maravilhas, que não precisam ser atiradas na cara de ninguém. Digo isso porque estou sofrendo uma discriminação brutal e ao mesmo tempo ridícula. Convivo com algumas pessoas que se acham realmente muito, muito importantes, tão melhores que eu que não se dignam a me olhar nos olhos quando obrigatoriamente me cumprimentam. São sempre preocupadíssimas com as suas altas patentes, e angustiadíssimas com a sua real importância, no mundinho podre das vaidades. Com um pânico constante de que, de repente, tudo mude e se escancare a mais cruel verdade diante de seus olhos. A única verdade. A de que ninguém é melhor nem pior que ninguém.
Escrito por
Cé
às
12h21
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