Acabei minha semana de provas. Fui bem em quase todas, só uma, a mais difícil, talvez me deixe de exame. Talvez, porque se a pro juntar uns pontinhos aqui e alí, eu passo. Raspando, mas passo. Já estou indo para o segundo ano. Já posso dizer que valeu a pena a minha loucura, foi bom eu ter persistido em ir à escola, mesmo achando tudo muito esquisito. Conheci pessoas, fiz amigos e dei umas boas risadas, fora tudo que aprendi. Além da profissão, que não tem preconceitos contra pessoas com mais de quarenta anos. Tô contente com isso.
Escrito por
Cé
às
20h49
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Fiz cinquenta anos. Mal consigo acreditar. Não por causa do número, mas porque me sinto bem. A diferença não passa de uma ou outra pelanquinha e um pouco de dor nas juntas. Minha vida teve um único "turning point", mas foi daqueles de arrebentar tudo. Meu trabalho foi juntar caquinho por caquinho, segurar o nariz àcima da linha da água e ficar firme, firme, agarrada num único pedacinho de salva-vidas até que a maré baixasse um pouco. (Metáforas). Hoje, quando olho para trás fico perplexa, como consegui agüentar aquela barra? Não sei. O que se tem que enfrentar, se enfrenta, só isso. Fico me perguntando, será que sou uma pessoa melhor hoje? Sinceramente não sei. Às vezes acho que tem uma quantidade enorme de monstros presos dentro do meu inconsciente, que fogem ruidosos de repente, sem que eu possa segurar. Ainda tenho muito que melhorar. Outro dia pensei uma coisa: fizeram de tudo para que eu deixasse de ser a sonhadora que eu era, agora me criticam por ser realista demais. Fuck you. É a melhor resposta. Duas frases me guiam:Quem sabe de mim sou eu, e, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. I am what I am.
Escrito por
Cé
às
23h40
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